ISLANDIA PARTE II: Geleiras, Aurora Boreal e um Avião Perdido

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Andando sobre as águas (congeladas claro, eu não sou Jesus!)

 A Islândia é normalmente conhecida como a terra de fogo e gelo mas dessa vez foi só gelo mesmo! Fui de um estremo ao outro; de nunca ter visto neve cair até escalar uma geleira. Sinceramente, estou me sentindo ponderosa! Como eu mencionei antes, a Islândia tem muito a oferecer em termos de atividades ao ar livre e aventuras relacionadas à natureza. Escalar uma geleira estava lá em cima da minha lista, por isso resolvemos fazer nossa viajem no inverno, já que os tours dentro das geleiras geralmente só estão disponíveis durante os meses mais frios de Novembro a inicio de Marco. As temperaturas mais quentes e a luz do sol excessiva fazem o passeio nas geleiras perigoso para explorar no verão.

 

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Andando por cima da geleira Vatnajökull, Sul da Islândia

Decidimos fazer o tour da geleira com a Arctic Adventures depois de ter lido varias reviews online. Já que tiamos carro alugado, dirigimos 4 horas rumo a Skaftafell. Se você for dirigindo, vamos facilitar sua vida e evitar todo o transtorno: coloque Skaftafell como “ponto de interesse” no GPS. Primeiro, pensamos que Skaftafell fosse uma cidade, então o GPS não encontrava de jeito nenhum. PÂNICO. Na verdade, Skaftafell é parte de um parque nacional no sul da Islândia, aonde esta localizada Vatnajökull, a maior geleira em toda Europa. A viajem de 4 horas não foi ruim porque pudemos ver o nascer do sol as 10:30 da manha na estrada. Quando chegamos no Visitor Center de Skaftafell (uma casa com telhado de terra) fomos recebidos de maneira calorosa; literalmente, pois havia café e chá quente para nos aquecer. Os guias verificaram se tínhamos roupas e botas adequadas para a caminhada de 3 horas no gelo. Eles forneceram um capacete, picador de gelo e grampos de gelo para as botas. A paisagem era de tirar o fôlego…simplesmente linda.

IMG_1793rtlWO que pensamos ser uma montanha era na verdade a geleira coberta com terra. Uns vinte minutos de caminhada e paramos para amarrar os grampos nas botas antes de continuarmos a subida na geleira. É surreal ver a geleira à distancia e de repente estar perto dela, andando por suas fendas e rachaduras. Os contornos naturais formados pelo gelo são como arte abstrata. Através de ondas congeladas, você se perde, imerso na beleza natural. Era como se fosse um filme “Sci-Fi”, além deste mundo, mas na verdade estamos na Terra. A natureza da Islândia é marcante, de mexer com a alma. As fotos não tem como descrever o sentimento de estar lá, respirando o ar fresco, pisando no gelo, sentindo o calor da manha em contraste com o vento frio na geleira. Uma experiência que não tem preço. Andamos por túneis estreitos, esculpidos pelas águas derretidas da geleira, e exploramos um pouco mais até ficarmos satisfeitos.

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Fizemos a caminhada de retorno por um caminho diferente para explorar outra área da geleira. O lanche que trouxemos foi suficiente pra inibir o apetite até o jantar que faríamos na volta a Reykjavík. Mais ou menos 2 horas de estrada rumo a Reykjavík, paramos em Vik; uma cidade pequena no sul da Islândia onde você pode conhecer a fabrica do Icewear. La você pode ver como eles fabricam todos aqueles agasalhos, luvas e cachecóis de lã. Eu comprei um chapéu de lã, e acabei usando todos os dias pra manter minha cabeça e orelhas aquecidas.

IMG_1750w2Próxima parada: Em busca de um avião perdido em plena escuridão. Por que não? Vamos aventurar!

Outra coisa que queríamos ver era o local do famoso “acidente aéreo”. Não se encontra nos mapas, não tem tour nenhum que te leve lá. Mas é um sonho pra qualquer fotógrafo ou explorador. No dia 24 de Novembro de 1973, um avião da marinha americana caiu na praia de areia preta Solheimasandur (não se preocupe, todos os tripulantes sobreviveram) e ninguém nunca limpou os destroços!

IMG_1900w2Quarenta anos depois, ainda se encontra no mesmo local, em contraste com a areia preta. Quando chegamos ao local, a escuridão já tinha tomado posse do dia e a única coisa visível era a lua cheia e um céu repicado de estrelas. A área dos destroços do avião se encontra entre a saída 221 e 222 da Estrada 1. Você quase não vê o pequeno portão de metal marcando a entrada. Parece que você esta entrando no lugar errado ou rumo ao nada porque a rua não é pavimentada, mas é ali mesmo; vire e passe pelo portão e uns 8 quilômetros depois você chega lá. É recomendado dirigir só se tiver carro com tração de 4 rodas. Mas pode ser que você dê sorte como nós, que durante o inverno com temperaturas baixas e um pouco de neve, a areia fica congelada e dá pra dirigir cautelosamente.

IMG_1908rtlWEm quanto dirigíamos com farol alto os poucos quilômetros pra chegar nos destroços, não tinha absolutamente nada na frente. Estavamos pedindo a Deus que a gente não parasse no meio do mar! De repente, vimos algo…Deu pra ver adiante faróis de outros carros parados e sabíamos que encontrávamos o local. A medida em que andamos em direção as dunas, vimos o avião! Pousado na praia do mesmo jeito por mais de quarenta anos. Sem asas, simplesmente a carcaça da cabine e parte de uma das turbinas sobraram. Realmente foi muito legal! Dá pra subir dentro da cabine e tirar fotos, e se você passa por aqui durante a noite como nós, é melhor usar a exposição lenta da câmera para as melhores fotos. Um dos outros carros que estava por lá, acendeu o farol e a gente aproveitou pra tirar fotos iluminadas por de trás. Obrigado motorista anônimo! Clique no link abaixo para direções mais detalhadas de como chegar no local do avião abandonado. plane crash site

Luzes Encantadoras: Aurora Boreal  

A primeira coisa que nos interessou em visitar a Islândia foi a chance de ver a Aurora Boreal. Tendo visto fotos e lendo sobre este fenômeno, sabíamos que era algo que tínhamos que ver pelo menos uma vez na vida. Queríamos estar lá e ver com os próprios olhos essas luzes dançando à nossa frente. Nos sentimos verdadeiramente abençoados de ter tido a oportunidade de conhecer este fenômeno da natureza em Novembro.       Explicação rápida: a Aurora Boreal são partículas carregadas de eletricidade do sol colidindo com a magnetosfera gasosa da Terra. As cores diferentes dependem da quantidade e tipos de gases sendo dispersos no ar.

IMG_2355w2A primeira noite que vimos aurora foi bem fraca. Estávamos andando pela costa, depois do porto de Reykjavík e a “poluição” de luz  da cidade não era ideal para observar a Aurora. Depois de algumas horas voltamos para o hotel desapontados. Mas não desistimos! Verificamos a previsão do tempo e decidimos correr em busca da Aurora outra vez, numa noite que prometia poucas nuvens. Desta vez, dirigimos uns dez minutos fora da cidade ate um farol na península de Seltjarnarnes. Tinham outros carros já estacionados, então encontramos uma vaga e preparamos a câmera. No inicio, quando a atividade esta começando, você só vê uma leve tonalidade de verde no céu que desaparece rapidamente. A medida que os minutos passam, o movimento era mais rápido e constante, as vezes formando um perfeito arco no horizonte. Outras vezes parecia que alguém estava soprando fumaça verde no firmamento. Era simplesmente hipnotizante, estar de pé na costa, coberta de neve, escutando o ruído das ondas e vendo o céu iluminado de luzes dançando diante de você. Como se Deus, o próprio, estivesse pintando um quadro pra você. Uma experiência inesquecível.

 

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Para mais informação sobre o que é este fenômeno: Northern Lights. Já que o verão da Islândia traz mais de 18 horas de sol, é melhor visitar no outono ou inverno quando as noites são mais longas, sendo a época ideal par ver a Aurora Boreais.

 Equipamento: Canon 5D Mark II, tripé, usando uma exposição lenta.

Até a próxima! Beijos, Ana Paula

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Casa com telhado relvado abandonada

Islandia Parte I: Roteiro Circulo Dourado

Pingvellir National Park, Iceland
Fotos: Tom Wildgust
TO READ THIS POST IN ENGLISH: Iceland Part I: Golden Circle

A Islândia é conhecida como a terra de fogo & gelo por causa do grande número de vulcões e geleiras nesta ilha do polo norte. Existe também uma abundância de piscinas geotérmicas espalhadas por toda parte e por onde quer que esteja dirigindo, você encontrara os cavalos Islandeses que são muito fofos. Os Islandês usam óculos escuros à meia noite durante o verão e correm em busca da luz do sol no inverno. Eles adoram fazer Happy hour e a cena musical é bem badalada. Resumindo, a Islândia foi show de bola! Isso vindo de uma Baiana que mora em plena Florida, bastante quente e que decidiu ir em rumo a Islândia, latitude 64 Norte, em pleno inverno. Sinceramente, a melhor decisão de viajem que já fiz! Icelandair tem vôos diretos de várias cidades do US incluindo Orlando. Surpreso? Pois é, eu também. A Islândia tem tanto pra oferecer que vou ter que compartilhar essa experiência em vários posts. Pra começar, vai aí um ótimo roteiro saindo de Reykjavík chamado de Golden Circle. (Circulo Dourado):

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Pingvellir Parque Nacional 

O roteiro Golden Circle é o tours número um da Islândia porque se faz em um dia. Você pode marcar um tour ou, melhor ainda, alugue um carro para ter liberdade de ir, desfrutar ao seu ritmo e parar para tirar fotos no caminho. A maioria das pessoas começam a rota como nós, em rumo ao Parque Nacional Pingvellir, localizado a 45 minutos da capital Reykjavík (49 km). Saímos cedo para chegar lá na hora do nascer do sol, como a Islândia tem somente 5.5 -6 horas de sol durante o inverno, tivemos que planejar bem os nossos roteiros diariamente. Pingvellir possui grande importância histórica, o local é o primeiro e mais antigo Parlamento do mundo, datando 930 AD, e foi uma assembléia até 1798. Você pode ver uma imensa bandeira Islandesa erguida onde o Parlamento original se encontrava, e esse parque é reconhecido como um patrimônio histórico da UNESCO desde 2004. Pingvellir tem uma beleza natural simplesmente incrível, e possui diversas trilhas para você caminhar e desfrutar.

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Fissura Silfra

Dirigimos alguns quilômetros no Pingvellir até a famosa Fissura Silfra. A Islândia ésta localizada bem na Cordilheira Mesoatlântica; uma cadeia de montanhas quase totalmente abaixo d’agua entre as placas tectônicas Americana e Euroasiática, e por causa dessa separação, a ilha cresce aproximadamente 2.5 centímetros por ano. A Silfra é literalmente uma rachadura na terra causada por estas placas tectônicas que estão constantemente alterando o planeta. Se você decidir mergulhar nas águas geladas, você estará basicamente abrangendo entre dois continentes! Eu fui covarde e resolvi não mergulhar porque a temperatura média da água é de 2-4 graus. Decidi não correr o risco de hipotermia. Não me julgue não viu? Moro aqui na Flórida e esse negócio de água gelada não é comigo! Não estou afim de morrer oxente! A água da Silfra é doce, vindo das geleiras derretidas e filtrada por rochas vulcânicas. Observamos os mergulhadores submergirem das águas super cristalinas e extremamente geladas com suas roupas de mergulho especializadas chamadas Drysuits. Eu vou ter que voltar para aventurar e mergulhar durante o verão, aí sim da pra fazer um mergulho! E só pra esclarecer, na foto a agua parece preta mas é na verdade cristalina, só tem essa aparência por causa da coloração escura das rochas e terra vulcânicas.

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Geysers – Strokkur (nascentes de água)

Depois de explorarmos o parque e tirar varias fotos; continuamos dirigindo em rumo ao Campo Geotérmico Haukadalur, onde os gêiseres são bem ativos. Strokkur, o mais ativos de todos, sopra a cada 3-7 minutos até 30 metros de altura! Tenha sua câmera pronta para tirar as fotos ou gravar vídeo. É muito legal você escutar o gêiser borbulhar lentamente algumas vezes e sentir a antecipação da explosão. E se você estiver visitando no inverno como nós, cuidado porque o gelo fica muito escorregadio por causa do borrifo da agua. Lá você também encontra um hotel, um restaurante e uma loja temática caso você esteja cansado de tanto dirigir. Você pode se aquecer com um café ou com uma dose de Brennivin, um drink tradicional Islandês (sabor de uma erva com gosto de alcaçuz) e dai seguir o passeio do Golden Circle. No caminho á Gullfoss, paramos na estrada para da um alô aos cavalos Islandeses, eles estavam bem curiosos com “esses humanos” se aproximando pra tirar fotos, e pra gente foi um barato!

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Cachoeira Gullfoss

Uns 15-20 minutos mais adiante e finalmente chegamos na majestosa Gullfoss (Golden Falls), a maior cachoeira da Europa! A vista é de tirar o fôlego. Parcialmente congelada e com a vegetação coberta de pingentes de gelo, era como se estivéssemos olhando um cartão postal de inverno. Caminhamos até o final da trilha, para ver a abertura e queda da cachoeira. A trilha tinha uma placa advertindo “fechado devido ao mau tempo e pedras caindo.” Até parece que íamos perder essa oportunidade por causa de um pouco de neve antecipada, além do mais, todo mundo tinha ignorado a placa e nós fizemos o mesmo. E tínhamos as nossas excelentes botas de neve e jaquetas, então tudo bem. Valeu a pena totalmente! Nem os invernos nórdicos podem parar o enorme fluxo de água da cachoeira descendo em duas etapas e caindo 32 metros abaixo no rio Hvita, mais uma incrível paisagem graças a mãe natureza.

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Cratera Kerio

Nossa última parada da rota foi a Cratera do Vulcão Kerio, 30 minutos voltando sentido oeste, chegamos lá logo antes da luz do sol se pôr. A cratera é cheia de agua e estava congelada por causa da tempestade de neve, de qualquer maneira, é uma vista linda e a descida até a cratera leva apenas uns minutinhos. Depois, regressamos a Reykjavík para uma caminhada e jantar na cidade. É um pouco estranho vindo da Flórida onde temos em media 10.5 horas de luz solar no inverno e chegar na Islândia correndo atrás da luz do sol todos os dias para ver o máximo possível ao ar livre na metade do tempo! Foi uma experiência inesquecível. Esse é um dos motivos porque tanto gosto de viajar. Você aprende como outras pessoas vivem, você cresce como indivíduo, e ganha mais apreciação pela sua própria luz do sol. Essa vida é maravilhosa…

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Dependendo da estação em que você visite a Islândia, possa ser que você tenha bem mais luz solar e então você poderá adicionar umas paradas extras no seu roteiro do Golden Circle. A igreja Skalholt é um outro ponto legal antes de chegar na Cratera Kerio, o vilarejo verde Hverageroi, e as usinas geotérmicas Nesjavellir ou Hellisheldar. Boa viajem!

Leiam também sobre as Geleiras, Aurora Boreal e Aviões Perdidos no Iceland Part II!

BOM SABER: MAPA do roteiro Golden Circle

Só um conselho, você tem que ter um pouco de experiência dirigindo na neve se pretende visitar a Islândia no inverno. As pistas estavam cobertas de gelo e as chances de deslizamento podem ser grandes. Todo cuidado é pouco.

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Aqui vai um video rápido do nosso roteiro: